Vida de Rotariano: Solange Basso – Servir no coletivo, com alegria, propósito e compromisso com o outro.

Nossa entrevistada desta edição é Solange Basso, companheira do Rotary Club de Santa Cruz do Sul, onde ingressou em 2016 e já exerceu a presidência do clube por duas gestões. Antes mesmo de se tornar rotariana, Solange já vivenciava o espírito do servir: desde 2013, participava ativamente da Casa da Amizade de sua cidade, demonstrando que o voluntariado sempre fez parte de sua trajetória.

O contato com o Rotary veio por meio de seu namorado à época — hoje esposo — Cláudio Diomar Ferreira, também companheiro do Rotary Club de Santa Cruz do Sul. Foi através dele que Solange conheceu mais de perto o movimento rotário. O convite para ingressar oficialmente no Rotary partiu de Tereza Pigatto, sua madrinha rotária, que teve papel fundamental em sua caminhada dentro da instituição.

Ao ser questionada sobre o que mais chamou sua atenção para decidir se tornar rotariana, Solange responde de forma direta e convicta:

“Dar de si antes de pensar em si.”

Uma frase que traduz não apenas o lema do Rotary, mas também a forma como ela vive o servir no dia a dia.

Entre os projetos que mais marcaram sua trajetória, Solange destaca, com forte emoção, as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Naquele período, ficou responsável pela organização e coordenação das doações recebidas pelos Rotary Clubs. Tudo o que chegava, de diversas partes do Brasil, passava por sua gestão. À época, Solange também atuava na prefeitura, o que facilitou significativamente a logística e a articulação das ações. Segundo ela, as doações oriundas do Rotary foram expressivas, reflexo de companheiros que ouviram o chamado e agiram com rapidez, união e solidariedade.

Ao falar sobre lembranças que guarda com carinho, Solange destaca dois momentos muito especiais. O primeiro foi o convite feito por Tereza Pigatto, que a acolheu e a incentivou a ingressar no Rotary. O segundo foi quando foi escolhida pelos companheiros para assumir a presidência do clube. O anúncio ocorreu em um encontro informal, feito pelo presidente daquela gestão, e foi recebido com calorosas palmas, confirmando a confiança e o reconhecimento dos companheiros — como ela mesma recorda, “já estava tudo combinado”.

Sobre os aprendizados que o Rotary trouxe para sua vida pessoal e profissional, Solange destaca um dos maiores desafios da liderança:

“Liderar líderes.”

Conviver com um grupo formado, em sua maioria, por empresários, pessoas com trajetórias consolidadas e opiniões bem definidas, foi — e segue sendo — um grande aprendizado em diálogo, respeito e construção coletiva.

Questionada se algum desafio dentro do clube mudou sua forma de ver o servir, Solange é enfática:

“Servir não é um ato individual. É preciso trabalhar no coletivo, unindo as qualidades de cada um.”

Para ela, o impacto verdadeiro nasce da soma de talentos em prol de um objetivo comum.

Empresária, com formação em Serviço Social e Gestão Pública, Solange afirma que toda sua bagagem profissional contribuiu significativamente para as ações rotárias. Mas faz questão de ressaltar que o servir vem de muito antes: cresceu vendo seus pais envolvidos em ações voluntárias, ajudando escolas, ligas e clubes de jovens. Esse exemplo familiar foi determinante para que o voluntariado se tornasse algo natural em sua vida.

Ao falar sobre projetos e causas que ainda sonha em realizar, Solange se emociona. São muitas ideias, mas uma em especial se destaca: o cuidado com os idosos. Pela Casa da Amizade, ela participou da implementação do projeto “Amigos da Velhice”, que oferecia aulas de culinária, educação física e diversas atividades voltadas à qualidade de vida. O projeto foi tão significativo que acabou sendo absorvido e mantido pela prefeitura. Seu desejo agora é ampliar iniciativas que promovam dignidade, cuidado e inclusão para a pessoa idosa.

Entre os projetos que marcaram profundamente sua trajetória está o End Polio Now. Solange possui uma ligação pessoal e muito significativa com essa causa: uma de suas tias contraiu poliomielite aos 9 anos de idade e, até hoje, aos 70 anos, vive com as sequelas da doença, utilizando cadeira de rodas. Essa experiência familiar reforça o vínculo emocional de Solange com o combate à pólio e fortalece seu compromisso com a erradicação definitiva da enfermidade. É essa vivência que a motiva a atuar com ainda mais dedicação para que nenhuma criança, em qualquer parte do mundo, volte a ser atingida pela poliomielite.

Na sua opinião, o segredo para manter o entusiasmo e o comprometimento ao longo dos anos está em três pilares: alegria, entusiasmo e companheirismo. Ela reforça a importância de não olhar para os defeitos, mas sim de enxergar e valorizar as qualidades do outro.

Como mensagem final aos novos rotarianos e aos jovens do Interact e Rotaract, Solange deixa uma reflexão simples e poderosa:

“Pequenos gestos, quando somados, criam grandes mudanças.”

Solange Basso se prepara agora para um novo e importante desafio: será a Governadora do Distrito 4680 na gestão 2028–2029, levando consigo uma trajetória marcada pelo servir, pela liderança colaborativa e pela firme convicção de que o Rotary transforma vidas quando atua com propósito, união e compromisso com o coletivo.

Entrevista por Márcia Cibele Vaz
Imagem Pública – Distrito 4680